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O dia que o psiquiatra me deu alta - e eu não quis


Há alguns anos a depressão me acertou com os dois pés na alma. A terapia de praxe não estava sendo suficiente. Procurei um psiquiatra.



Ele me ouviu. Diagnosticou. Prescreveu as famosas pílulas da felicidade.



Fui melhorando. Com a evolução, o psiquiatra começou a abordar algo que a psicóloga já havia me alertado e que eu continuava negligenciando: meu estilo de vida.



A verdade era que estava chegando aos 40 totalmente sedentário. Trabalhava de domingo a domingo. Minha alimentação se resumia a congelados, refrigerantes e (muito) álcool. Sair para socializar? Pra que? Tinha livros, discos, cigarros, bacon, redes sociais e TV a cabo. Para um misantropo de carteirinha, eles eram melhores do que muita gente.



Ele repetia, sessão após sessão, que a medicação era só parte do tratamento.


Que o verdadeiro bem-estar exigia movimento, alimentação equilibrada e convívio social.



Para mim, aquilo tinha a validade de um conselho de mãe para adolescente. Nenhuma. Eu só queria a receita. E assim foi durante meses. Até que um dia o psiquiatra me deu alta. No more pills for me.



Fiquei só com as três recomendações que desprezava - e não cumpria.



No início estava bem, mas, meses depois, sem perceber evolução no meu estado de ânimo, voltei ao consultório pedindo uma nova receita. O psiquiatra me olhou sério e perguntou: “Você está fazendo exercícios, se alimentando bem e socializando?”



Respondi que não... Saí de lá sem a receita e com a mesma recomendação: Exercício / Alimentação / Socialização



Doeu no ego admitir… mas eu tinha que tentar.



Comecei aos poucos: acordar cedo, caminhar, depois correr. Cortar ultraprocessados e cigarros. Diminuir o álcool e tempo de tela. Sair, me permitir estar com pessoas. Mergulhei no autoconhecimento e passei a mudar hábitos que eu evitava há anos.



Deu certo. 



Com o tempo, entendi que não existe saúde emocional sustentável sem participação ativa na própria vida. A medicação pode ser necessária, a terapia fundamental, mas nenhuma delas substitui movimento, nutrição e conexão humana.



Anos depois, ao conhecer o SPIRE (metodologia do bem-estar integral baseada na psicologia positiva) compreendi que o “conselho materno” do psiquiatra estava fundamentado na mais pura neurociência.



A verdade é que quando você se compromete com sua consciência, sua energia e sua essência, o mundo deixa de ser ameaça e começa a ser espaço. A vida não melhora quando tudo fica mais leve. A vida melhora quando você fica mais forte.



*Este relato descreve uma experiência pessoal e não deve ser interpretado como orientação médica. Saúde mental é um tema sério e cada diagnóstico, tratamento e evolução são individuais. Medicamentos, terapias e condutas clínicas devem sempre ser definidos e acompanhados por profissionais qualificados. Não inicie, altere ou interrompa qualquer tratamento sem orientação médica adequada.

 
 
 

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